A Conferência das Mudanças Climáticas de 2010 em Cancún, México, foi um passo essencial no caminho para se alcançar um acordo global sobre mudanças climáticas. Questões muito importantes foram avançadas, como o fundo de U$ 30 bilhões para o período 2010-2012, ou o tema de desmatamento, tão importante para a América Latina. Muito desse sucesso se deu graças ao excelente trabalho feito pela presidência mexicana, sendo que sua principal conquista foi ter reaberto significativas negociações que serão retomadas durante a COP17 na África do Sul, em dezembro próximo. Com metas de redução de emissões de gases de efeito estufa significantemente abaixo do que é requerido pela ciência climática, o mundo poderá vir a vivenciar intensos aumentos de temperatura ainda este século. Tal fatalidade poderá reverter os ganhos tão arduamente alcançados em prosperidade global e ainda prejudicar as oportunidades de desenvolvimento das comunidades vulneráveis em todas as partes do planeta. As enchentes devastadoras na Austrália, Colômbia e Brasil não podem ser com total certeza diretamente relacionadas às mudanças climáticas, mas elas podem nos fornecer uma breve imagem do futuro onde teremos de lidar com horríveis desastres naturais um após o outro. O derretimento das geleiras nos Andes já está acontecendo e provavelmente causará calamitosa falta de água para milhões de pessoas e o interrompimento de sistemas vitais como agricultura e energia.