Imprimir esta página
Quarta, 20 Junho 2012 12:54

Cooperação entre o Mexico e o Brazil sobre o clima é crucial para engendrar mudança Destaque

Escrito por 
Por Guy Edwards e Cody Zeger Enquanto o México hospeda a Cúpula dos Líderes do G20 seguido esta semana pela Conferência da Rio +20, no Brasil, as credênciais climáticas  de ambos os países encontram-se sob séria avaliação .  Pouca  cooperação bilateral tem existido entre esses líderes regionais e os lideres globais, sobre mudanças climáticas. No entanto, a cooperação pode ser essencial para se alcançar uma maior ação sobre a mudança climática na América Latina e no exterior.
México e Brasil têm feito esforços para melhorar suas relações no comércio, segurança, energia e biocombustíveis. No entanto, tendo em conta as diferenças geográficas e diferentes perspectivas regionais e internacionais, a cooperação é limitada. Relações parecem ser positivas, mas a concorrência entre as duas maiores economias e emissores de carbono da América Latina é inquestionável. Na corrida para o G20 e Rio +20 não está claro o que aconteceu na cooperação entre Brasil e México. O Brasil alterou as datas originais para a Rio +20, devido a imcompatibilidade com o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II e para acomodar os líderes asiáticos presentes na reunião do G20. Com a Rio +20 sendo descrita pelo chefe da ONU Ban ki-Moon como "muito importante para fracassar" e a ação afirmativa do México no desenvolvimento de baixo carbono, não é surpreendente que a quinta prioridade do México para o G20 inclui "promover o desenvolvimento sustentável, o crescimento verde e a luta contra a mudança climática ". O México está caminhando sobre uma corda bamba diplomática. O G20 não tem legitimidade e é criticado por ser secreto, fechado para 174 países e da sociedade civil e subserviente aos mercados financeiros. Por sua vez, a Rio +20 organizada pela ONU é considerada como altamente inclusivo e democrático. México pode ter colocado o crescimento verde na agenda do G20, mas este conceito é cheio de problemas semelhantes aos das críticas feitas a reunião do G20 em si. México precisa encontra uma forma equilibrada de assegurar que o G20 completem e melhorem a probabilidade de sucesso da Rio +20. A proximidade do G20 e Rio +20 nos lembra que México e Brasil têm mais em comum do que a sua rivalidade sugere. Enquanto líderes mundiais sobre o clima, a concorrência entre eles é uma parte construtiva do esforço para enfrentar o aquecimento global e alcançar o desenvolvimento sustentável. Nas negociações climáticas da UNFCCC, o México é considerado um jogador flexível e ambicioso dado o seu papel no sucesso da organização da COP16, sua participação no Diálogo de Cartagena e como o proponente original do Fundo Verde para o Clima. Brasil pode ser muito conservador sobre o conceito de responsabilidades comuns mas diferenciadas, mas ainda é muito influente e pode ser creditado por ajudar a manter alguns de seus parceiros no BASIC (China, Índia e África do Sul), digamos, “na linha” durante as negociações sobre o pacote de Durban em Bonn no mês passado. Brasil e México têm tido um papel ativo na criação de legislações nacionais sobre mudanças climáticas. Em 2009, o ex-presidente do Brasil, Lula, assinou uma lei que institui a Política Nacional de Mudanças do Clima, que estabelece uma meta voluntária nacional de redução de gases de efeito estufa entre 36,1 e 38,9 por cento das emissões projetadas até 2020. Isso inclui uma meta para reduzir as taxas de desmatamento na Amazônia em 80%. Este mês o presidente Calderón sancionou a Lei do México de Mudanças Climáticas, que inclui metas de redução de emissões de gases de efeito estufa em 30% até 2020 e em 50% até 2050 e atingir 35% da energia do México a partir de fontes renováveis até 2024. Brasil pode ter recentemente anunciado as menores taxas de desmatamento registradas, devido à ações duras do governo, mas enfrenta um período de testes pela frente, se quiser manter sua liderança sobre a mudança climática. A apresentação feita pela Aliança dos Pequenos Estados Insulares sugere que dados de 2011, do governo brasileiro, mostram que as emissões vão crescer mais rapidamente do que o esperado devido a maiores emissões projetadas de desmatamento e de outras fontes, em parte, devido às prováveis mudanças no Código Florestal. Em energia limpa, o Brasil continua a ser um líder mundial em capacidade hidrelétrica e etanol, enquanto o México está atrás, mas está percebendo um forte interesse de empresas européias interessadas em investir em seu potencial eólico e solar. Segundo o Climartescope 2012, na America Latina, o Brazil encontra-se na vanguarda com a sua postura para com investimentos relacionados com o clima, enquanto que o Mexico está em sexto lugar. México e Brasil são concorrentes na corrida para o desenvolvimento de baixo carbono. Esta competição é necessária e gera uma força construtiva para conduzir a mudança. Apesar de tudo, terá que existir maior cooperação para que se possa tirar vantagem dos atributos destes poderes emergêntes. Poderão também ser decisivos para que haja ação regional e internacional sobre a mudança climática e desenvolvimento menos dependente de fontes de energia à base de carvão. Com ambos os países a pressionar por um novo tratado climático global e divulgando sua legislação  climática nacional, incentivando o financiamento internacional e transferência de tecnologia, o seu poder combinado empurrando para essas demandas pode ser essencial. Compartilhando as lições e boas práticas em energia limpa, o REDD +, a redução do risco de desastres, adaptação e financiamento climático poderia também possuir um lugar de destaque. Como o presidente mexicano Calderon disse em 2010 referindo-se ao Brasil: "Imagine o que podemos fazer juntos, imagine se complementarmos um ao outro". Com o G20 e Rio +20 em andamento, agora é a hora de aproveitar o momento.   Gostaríamos de agradecer a Manuela Mage por ter traduzido esse artigo.
Lido 2917 vezes Última modificação em Quarta, 11 Fevereiro 2015 17:06
Guy Edwards

Guy Edwards is a Research Fellow at the Center for Environmental Studies, Brown University, where he manages a research project on the politics of climate change in Latin America. Along with co-author, Professor Timmons Roberts, he is currently writing a book on Latin American leadership on climate change for MIT Press. He has also written various academic papers, policy briefs and op-eds for a number of different publications. As co-founder of Intercambio Climático and formerly co-editor of the website, Guy has worked closely with the Latin American Platform on Climate and the Latin American office of the Climate and Development Knowledge Network. He has also worked for the Overseas Development Institute, the consultancy River Path Associates and as the resident manager of the Huaorani Ecolodge in the Ecuadorian Amazon.

Website.: twitter.com/guyedwards

Mais recentes de Guy Edwards

Itens relacionados (por tag)