Sexta, 27 Maio 2011 07:37

Diplomacia Latino-Americana é elemento chave para o sucesso das conversações acerca do clima em Durban Destaque

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A América Latina representa um microcosmo nos desafios enfrentados pelas conversações internacionais sobre mudanças climatéricas. A diversidade dos seus países e das suas economias, as disparidades das suas emissões anuais e a sua vulnerabilidade, as suas posições ideológicas, a diversidade de políticas estrangeiras e associação a diversos fóruns regionais e internacionais fazem com que diferentes perspectivas sobre a mudança climatérica seja um lugar-comum.
No entanto, esta diversidade não significa que o progresso seja inatingível. De facto, o oposto poderá ser o caso. A excelente liderança da presidência mexicana na COP16 em 2010 e o forte apoio da América Latina nesse esforço sugerem um aumento do pragmatismo dos governos da região. Esta abordagem pragmática demonstra-se melhor através daqueles que lideram este empreendimento.  O compromisso da Costa Rica de neutralizar as suas emissões de carbono até 2011, o plano do Brasil de restringir o desflorestamento dentro das suas fronteiras em 80% até 2020 e o Programa Especial do México de Mudança Climatérica de 2009-2012, que delimita a emissão voluntária para uma redução de 50% até 2050 comparado com o ano de base de 2000, são notáveis. Acções ao nível regional, tais como a levada a cabo pelos Estados Unidos de Parceria Energética e Climática nas Américas e os esforços da CARICOM para criar um Quadro Regional para Alcançar o Desenvolvimento Resiliente da Mudança Climatérica, ilustram o objectivo comum e os valores partilhados por alguns países, proporcionando a base para o compromisso. Desde o nascimento da UNFCCC, em 1992, na Cimeira da Terra no Rio de Janeiro que temos testemunhado grandes transformações na forma como os governos da América Latina abordam o problema climatérico. Os países da América Latina deixaram de tratar a mudança climatérica como um problema externo e passaram a aceitar que todos os países devem ter um papel na protecção dos seus cidadãos actuais e futuros e reduzir as suas emissões, independentemente do seu tamanho. Existe agora um maior nível de conscientização e sensibilização acerca da importância desta questão para a América Latina, tanto nacionalmente como internacionalmente. A bem-sucedida experiência da presidência mexicana na COP16 pode servir como referência para uma maior acção diplomática a nível climatérico entre os países da América Latina até à data das conversações sobre o clima em Durban em Dezembro de 2011. Esta diplomacia intensificada deve concentrar-se em cultivar um maior empenho entre os países da América Latina e os seus parceiros globais, os quais devem transmitir a urgência da situação. O novo pragmatismo e os níveis de acção empreendidos devem ser continuados e reforçados. Deverá aumentar-se os níveis de conscientização sobre a mudança climatérica, sendo necessário procurar tratá-la como um risco sistémico a ser integrado nas prioridades políticas convencionais tais como segurança, prosperidade e criação de empregos. Assegurar um acordo internacional justo, equitativo e ambicioso que limite o aumento da temperatura global em 2 graus, fazer um esforço combinado para adaptar e proteger os cidadãos dos desastres naturais, fazer esforços contínuos para reduzir o desflorestamento na Amazónia, levar a cabo um compromisso em relação às energias renováveis e à baixa emissão de carbono para atender às necessidades de uma região dinâmica e próspera, são prioridades máximas. A ciência é suficientemente clara. As condições políticas contribuem para a mudança. A política e a diplomacia podem e devem incitar este processo de forma a continuar o sucesso obtido em Cancun, em Durban e em outras capitais da América Latina. Intercambio Climatico gostaria de agradecer à Sandra Sousa, Universidade de Brown,  por ter traduzido esse artigo.
Lido 1112 vezes Última modificação em Terça, 10 Fevereiro 2015 19:32
Ricardo Lagos Escobar

Ricardo Lagos Escobar fue presidente de Chile entre 2000-2006. Desde que dejó el cargo, fundó la Fundación Democracia y Desarrollo en 2006 y actualmente es su presidente. También es vice-presidente del Diálogo Interamericano, es profesor en el Instituto Watson de Estudios Internacionales, en la Universidad de Brown y fue enviado especial de la ONU para el cambio climático.

Ricardo Lagos Escobar served as president of Chile from 2000-2006. Since leaving office, he founded the Fundación Democracia y Desarrollo (Foundation for Democracy and Development ) in 2006 and currently serves as its president. He is also a vice chair of the Inter-American Dialogue, professor at large at Brown University at the Watson Institute for International Studies and a former UN special envoy for climate change.

Ricardo Lagos Escobar foi presidente do Chile de 2000 a 2006. Assim que deixou a presidência, ele inaugurou a Fundação para Democracia e Desenvolvimento, sendo hoje seu atual presidente. Ele é também o vice-presidente do Diálogo Inter-Americano, professor da Universidade de Brown no Instituto Watson para Estudos Internacionais e foi enviado especial da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas.