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Terça, 22 Março 2011 18:10

América Latina pode combater as mudanças climáticas através da adoção da era digital Destaque

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A Conferência das Mudanças Climáticas de 2010 em Cancún, México, foi um passo essencial no caminho para se alcançar um acordo global sobre mudanças climáticas. Questões muito importantes foram avançadas, como o fundo de U$ 30 bilhões para o período 2010-2012, ou o tema de desmatamento, tão importante para a América Latina. Muito desse sucesso se deu graças ao excelente trabalho feito pela presidência mexicana, sendo que sua principal conquista foi ter reaberto significativas negociações que serão retomadas durante a COP17 na África do Sul, em dezembro próximo. Com metas de redução de emissões de gases de efeito estufa significantemente abaixo do que é requerido pela ciência climática, o mundo poderá vir a vivenciar intensos aumentos de temperatura ainda este século. Tal fatalidade poderá reverter os ganhos tão arduamente alcançados em prosperidade global e ainda prejudicar as oportunidades de desenvolvimento das comunidades vulneráveis em todas as partes do planeta. As enchentes devastadoras na Austrália, Colômbia e Brasil não podem ser com total certeza diretamente relacionadas às mudanças climáticas, mas elas podem nos fornecer uma breve imagem do futuro onde teremos de lidar com horríveis desastres naturais um após o outro. O derretimento das geleiras nos Andes já está acontecendo e provavelmente causará calamitosa falta de água para milhões de pessoas e o interrompimento de sistemas vitais como agricultura e energia.
Os governos nacionais e o sistema multilateral da Organização das Nações Unidas (ONU), sem dúvida alguma, têm um papel fundamental na identificação e implementação de soluções. Mas em relação às mudanças climáticas, todos nós, cidadãos do mundo, temos responsabilidades. Por isso, nós somos lembrados do incalculável importante papel desenvolvido por atores não-governamentais em desafiar o ‘status quo’ e pressionar por mudanças. Em uma era caracterizada por inter-conexões, o papel da sociedade civil e o poder da internet apresentam oportunidades únicas para complementar o processo liderado pelos atores governamentais. A Plataforma da América Latina sobre Clima, lançada recentemente, apresenta um interessante exemplo de como organizações latino-americanas da sociedade civil podem unir forças e oferecer informação e tecnologias de comunicação para contribuir para os debates sobre mudanças climáticas, e trabalhar em conjunto com governos incapazes de lidar sozinhos com esse desafio complexo. A Plataforma, desenvolvida em 2009 com o suporte da Fundação Avina, é formada por 17 organizações da sociedade civil e do setor privado espalhadas por toda a região desde a Costa Rica até a Argentina. A Plataforma réune e conecta esforços latino-americanos já em andamento para combater os desafios impostos pelas mudanças climáticas e influenciar a opinião pública e processos políticos. Para realçar a visibilidade e o alcance da Plataforma, foi assinado um acordo entre a Universidade de Brown e a Plataforma, com o objetivo de desenvolver uma estratégia criativa de comunicação. Esse acordo resultou no lançamento do primeiro blog poliglota e web portal da América Latina sobre mudanças climáticas, o Intercambio Climático. O website fundamenta-se  na longa experiência e conhecimento dos membros da Plataforma, os quais incluem o primeiro ministro de Meio Ambiente da Colômbia, Manuel Rodríguez Becerra, e do Uruguai, Gerardo Honty, que por sua vez tem participado de todas as Conferências das Partes da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas desde a sua criação, quase há 20 anos. Além de oferecer análises de fácil compreensão feitas por especialistas sobre os temas climáticos na América Latina, o website fornece ainda a seus usuários relatórios e estudos sobre assuntos relacionados, links para as últimas notícias climáticas, e uma lista de recomendações de atuais e interessantes leituras. O website também contem uma extensiva lista de todas as organizações relevantes como os centros de pesquisa e as agências governamentais que estão trabalhando com assuntos climáticos na região. Ou seja, IntercambioClimatico.com oferece um espaço ideal para o debate e disseminação de informação e conhecimento sobre as mudanças climáticas. Esse website se tornará ainda mais importante à medida em que a região se torna digitalizada em um ritmo muito veloz. A América Latina já contando com 182 milhões de usuários da internet,  representando 32,1% da população da região. Em fevereiro de 2011, os usuários da rede social Facebook somavam 21,6 milhões no México e 13 milhões no Brasil. Em relação ao Twitter, no meio do ano de 2010, 20,5% da população brasileira na idade de 15+ tinham uma conta; no México, 13,4%; no Chile, 13,2%; e 10,5% na Argentina. Os cidadãos latino-americanos estão altamente preocupados com as mudanças climáticas. O Índex HSBC de Confidência Climática de 2007 apontou as mudanças climáticas como a preocupação número 1 dos países pesquisados, sendo que a  Índia, o México e o Brasil apresentam o mais alto nível de preocupação sobre as mudanças climáticas. O BBC também conduziu uma pesquisa de opinião em 2007, a qual indica que um número representativo de cidadãos dos países da América Latina estão mais apreensivos com as mudanças climáticas e ações de mitigação dos desafios climáticos do que com outros problemas relacionados com energia e meio ambiente. Em uma região caracterizada por rápidas mudanças, onde os contextos político, social e ambiental estão se tornando altamente dinâmicos, incertos e complexos, novas formas de diálogo e trocas entre a sociedade civil e o governo são a única opção real acessível para preparar uma região altamente vulnerável para as mudanças climáticas. Esse blog e web-portal, Intercambio Climatico, é uma tentativa inicial e humilde de fazer essa interação possível e promover resultados de interesse positivos para ambos os povos e os governos da nossa região multi-cultural.   Intercambio Climatico gostaria de agradecer à Andréa Gunneng por ter traduzido esse artigo.
Lido 1269 vezes Última modificação em Terça, 10 Fevereiro 2015 19:33
Ricardo Lagos Escobar

Ricardo Lagos Escobar fue presidente de Chile entre 2000-2006. Desde que dejó el cargo, fundó la Fundación Democracia y Desarrollo en 2006 y actualmente es su presidente. También es vice-presidente del Diálogo Interamericano, es profesor en el Instituto Watson de Estudios Internacionales, en la Universidad de Brown y fue enviado especial de la ONU para el cambio climático.

Ricardo Lagos Escobar served as president of Chile from 2000-2006. Since leaving office, he founded the Fundación Democracia y Desarrollo (Foundation for Democracy and Development ) in 2006 and currently serves as its president. He is also a vice chair of the Inter-American Dialogue, professor at large at Brown University at the Watson Institute for International Studies and a former UN special envoy for climate change.

Ricardo Lagos Escobar foi presidente do Chile de 2000 a 2006. Assim que deixou a presidência, ele inaugurou a Fundação para Democracia e Desenvolvimento, sendo hoje seu atual presidente. Ele é também o vice-presidente do Diálogo Inter-Americano, professor da Universidade de Brown no Instituto Watson para Estudos Internacionais e foi enviado especial da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas.

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